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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Procel: Economia de energia chegou a 9,1 bi de kWh, ou 2% do consumo total, em 2012






Fonte: Portal Rio Capital da Energia -
Brasil - Os últimos resultados acumulados contabilizados pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) apontam que as iniciativas do programa foram responsáveis por uma economia de 9,1 bilhões de kWh em 2012, o equivalente ao consumo anual de 4,8 milhões de residências ou a 2% do consumo total de energia no Brasil naquele ano.

O gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética da Eletrobras, Fernando Perrone, mostrou os dados ontem durante palestra no seminário “Eficiência energética: projetos, determinações e investimentos”, realizado hoje (19) pela Câmara de Comércio Americana (Amcham Rio). De 1986, quando o programa foi criado, até 2012, a economia atingiu, segundo ele, 60 bilhões de kWh.

Um dos principais focos do programa, segundo explica Perrone, são as edificações comerciais, residenciais e do setor público que, juntas, respondem por 47% do consumo de energia elétrica brasileiro.

O Procel Edifica está voltado exatamente para edificações públicas e privadas, com o objetivo de contribuir para a política pública de expansão de moradias e aplicação de conceitos de eficiência energética, inclusive em empreendimentos do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Além disso, o programa desenvolveu com o Inmetro um selo para ser concedido a edificações novas e já existentes, que tenham como pré-requisitos áreas mínimas de 500 metros quadrados e tensão igual ou superior a 2,3 kV. Esse selo, inicialmente voluntário, já foi concedido a 51 edificações públicas e 1442 residenciais.

Para o setor industrial, que responde sozinho por 41% do consumo de energia elétrica no Brasil, há o Procel Indústria, que tem como um dos principais mecanismos a capacitação da universidade para efeito multiplicador de conhecimento, em trabalho realizado em parceria com entidades empresariais.

Há ainda programas como o Procel Sanear, para a área de saneamento e o Procel GEM (Gestão Energética Municipal), que abrange os 5.560 municípios do País, não diretamente, mas através dos parceiros. O programa também prossegue com suas iniciativas mais conhecidas da população, como o Selo Procel, para indicação ao consumidor de produtos que consomem menos energia elétrica e o Procel Educação, voltado para educação básica e fundamental.

Biblioteca do Estado conta com usina de energia solar




Fonte: Diário Democrático - 17.04.2013
Rio de Janeiro - A Biblioteca Pública do Rio (BPE), localizada na Avenida Presidente Vargas, já conta com uma usina de geração fotovoltaica que irá garantir a eficiência energética do novo espaço.

A Light finaliza agora a instalação de um dispositivo de proteção na entrada da unidade para que, na sequência, a interligação da usina com a rede passe por testes. De acordo com a companhia de energia, as simulações devem ser concluídas em maio deste ano.

Também estão sendo instalados seis inversores que irão compor os equipamentos necessários para a transformação da energia gerada para uso no sistema elétrico da BPE. O empreendimento verde já apresenta 162 placas de energia solar em estrutura fixada na cobertura. Moderna e sustentável, a biblioteca produzirá anualmente 51,5 MWh. As medidas adotadas contribuirão para uma redução de até 30% do consumo.

Pequenos negócios apostam em ações sustentáveis

 
 
 
Pequenos negócios apostam em ações sustentáveis

Fonte: Em Rôndonia.com - 15.04.2013
Brasília - Antes encarado com certo receio por parte do empresariado, o desenvolvimento sustentável é uma realidade e já faz parte das estratégias dos pequenos negócios. O assunto será debatido na terceira edição do Seminário Sebrae de Sustentabilidade, nesta segunda-feira (15), na sede do Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS), em Cuiabá (MT). O evento marcará o terceiro ano de atividades do CSS, referência nacional no tema, que tem como missão gerar e disseminar conhecimento, informações e práticas para o atendimento de micro e pequenas empresas em todo o país.

Praticar a sustentabilidade na empresa reduz custos e pode torná-la mais competitiva no mercado. O empreendimento que possui sua imagem vinculada à sustentabilidade geralmente conquista uma maior fatia no mercado, além de ter um retorno considerável de clientes, da simpatia da opinião pública e boa reputação. A marca tende a ser valorizada no mercado, ganhando mais credibilidade e confiança.

Segundo diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, o empresário deve vislumbrar a sustentabilidade como investimento e não como mais um gasto para a empresa. “As boas práticas sustentáveis aumentam a competitividade do negócio, promovem a imagem positiva da empresa junto aos seus clientes e ainda atraem uma gama de consumidores conscientes”.

Atento a essa temática, o Sebrae tem incentivado a sustentabilidade nos pequenos negócios, dentre outros seis pontos (inovação, qualidade, propriedade intelectual, Tecnologia da Informação e Comunicação, design, produtividade), por meio do programa Sebraetec, iniciativa que conta com orçamento de R$ 165 milhões ao ano.

Confira algumas ações sustentáveis que resultam em mais clientes e lucros:

Destine corretamente os resíduos sólidos de sua empresa

O primeiro passo é consultar a prefeitura de sua cidade para saber se há alguma cooperativa ou empresa que colete ou receba resíduos. Faça a separação do lixo seco (papel, plásticos, vidros, metais) e do lixo úmido ou orgânico (restos de alimentos, guardanapos engordurados, cascas de frutas), depositando-os em recipientes diferentes.

Energia solar é muito mais econômica

Um aquecedor solar gasta R$ 0,0035 por litro de água aquecida, enquanto um aquecedor de gás R$ 0,64 e um chuveiro elétrico R$ 0,89. Reduza custos de sua empresa, utilizando sistemas de aquecimento solar para alimentar chuveiros e torneiras de água quente.

Faça parceria com cooperativas de recicladores e doe seus resíduos recicláveis

Os resíduos recicláveis de sua empresa (papéis, plásticos, eletrônicos em desuso, etc) são materiais valiosos para cooperativas de recicladores. Torne-se parceiro dessas entidades em sua cidade e doe os resíduos gerados no dia a dia para elas. Dessa forma estará reduzindo o volume de resíduos na coleta, lixões e aterros sanitários e, ainda, vai apoiar a atividade produtiva e remunerada dos recicladores de resíduos, que fornecem tais materiais para as indústrias de reciclagem.

Envolva e capacite todos os colaboradores rumo à sustentabilidade

Para se tornar uma empresa sustentável é necessário envolver e capacitar todos os colaboradores na nova postura do mercado sustentável. Os resultados da redução de consumo de energia, água, transporte, embalagens, entre outros, só serão alcançados a partir da mudança comportamental e adoção de novas atitudes pelos integrantes da(s) equipe (s), no dia a dia da empresa.

Substitua lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas fluorescentes

Lâmpadas econômicas fluorescentes podem durar até dez vezes mais do que as lâmpadas comuns incandescentes; chegam a economizar em torno de 65% dos custos mensais de energia elétrica de sua empresa, além de reduzir a produção e descarte de resíduos (lixo).

Prefira equipamentos com o Selo Procel Eletrobras

O Selo Procel Eletrobras de Economia de Energia é a principal referência para consumidores e empresários, na hora da comprar equipamentos e eletrodomésticos. Ele aponta os níveis de eficiência energética, de acordo com cada categoria, garantindo economia na sua conta de energia. O objetivo do programa é incentivar a fabricação e comercialização de produtos mais eficazes, visando ao desenvolvimento tecnológico nacional e a preservação do meio ambiente.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Desperdício zero


Brasil - Revista Galileu elenca campeões de consumo de energia e dá dicas de como economizar mais ainda após corte na conta de energia

Brasil – A revista Galileu deste mês traz uma reportagem chamando a atenção para a redução na conta de energia anunciada pela presidente Dilma Rousseff e de que forma podemos reduzir mais ainda o preço da conta no final do mês.

Elencando entre a iluminação doméstica, eletrodomésticos e gadgets, a reportagem faz um levantamento do consumo mensal de cada aparelho e dá dicas de maneiras de economizar, como é o exemplo do uso do computador, aparelho cada dia mais presente nos lares brasileiros. Se considerarmos o uso diário de oito horas do aparelho, durante 30 dias no mês, teremos o consumo de 48 kWh/mês ou, segundo cálculos da revista, um consumo de R$ 21,60.

Clique no link abaixo e leia a reportagem na íntegra
Revista_Galileu_desperdício_zero_01-02-2013.pdf

Tecnologia promete energia solar 300% mais barata





Fonte: Jornal da Energia - 22.02.2013

Estados Unidos - Sediada na Califórnia, a V3 Solar foi a responsável pela pesquisa e o desenvolvimento do Spin Cell - espécie de painel fotovoltaico giratório, em formato de cone. Agora, a companhia norte-americana inicia o processo de comercialização da tecnologia, com a promessa de que ela possa produzir energia solar 300% mais barata do que a gerada pelos métodos convencionais.

Segundo a V3 Solar, o equipamento é mais eficiente no aproveitamento da luz do sol para a produção de energia. Ano passado, a companhia chegou a contratar a Design Nectar, empresa especializada no desenvolvimento de produtos para concluir o projeto de engenharia do V3Solar’s Spin Cell Technology. “A produção de energia renovável, instalada no ponto de consumo é um negócio viável", comentou Michael Neistat, CEO da V3Solar. O valor do kWh produzido com a célula spin seria de apenas US$ 0,8, o que a companhia afirma ser 66% mais barato do que o preço da eletricidade no varejo e 300% menor do que o preço de custo de outras tecnologias solares.

A californiana garante que testes preliminares comprovaram que a tecnologia é capaz de produzir 20 vezes mais eletricidade, durante o mesmo período e com o uso da mesma quantidade de células fotovoltaicas de placas e painéis estáticos. “A energia solar finalmente está fazendo sentido do ponto de vista econômico”, afirmou Neistat.

O Spin Cell funciona a partir de uma combinação entre as lentes de concentração, sendo a célula spin um cone dentro de um outro cone maior. A camada exterior da lente cobre uma área maior para concentrar a luz sobre o material fotovoltaico. A empresa descreve ainda que o equipamento também é constituído por um sistema de “eletrônica avançada”.

Pesquisadores de Belo Horizonte criam painéis solares de plástico




Fonte: Jornal Meio Ambiente - 26.02.2013

Belo Horizonte - Um grupo de pesquisadores de Belo Horizonte criou novos painéis solares feitos de plástico. Mais baratos e compactos do que os equipamentos convencionais, as placas de geração podem ser instaladas em fachadas de prédios, telhados de casas e até mesmo em ônibus e carros.

Ao contrário dos painéis tradicionais, feitos de silício, o novo dispositivo se parece com um rolo de filme-plástico transparente com faixas coloridas, nas quais se encontram as células fotovoltaicas. Fino e flexível, o material tem alta eficiência: um pedaço do plástico de dois metros por dois metros tem capacidade para abastecer uma lâmpada, uma televisão e parte do consumo de uma geladeira. Assim, quanto maior o tamanho do plástico, mais eletricidade é gerada.

De acordo com Tiago Maranhão Alves, coordenador do projeto, o dispositivo pode dar novo uso ao plástico e ainda reduzir desigualdades sociais no país. "Eu queria levar isso aqui no lombo de um burro para uma localidade isolada do Nordeste que nunca teve energia elétrica. Isso é fácil de transportar e você cola no telhado ou na fachada de uma casinha em qualquer lugar", disse o coordenador, que também considera a possibilidade de depositar grandes quantidades de plástico-filme nas águas dos reservatórios hidrelétricos já construídos no Brasil.

De acordo com Maranhão, o plástico pode gerar até 50% a mais de energia do que as placas de silício. Isso porque, enquanto as células solares tradicionais são mais vulneráveis às variações da luminosidade ao longo do dia, o rolo de filme-plástico produz mais eletricidade conforme a temperatura do ambiente aumenta.

A equipe de cientistas não forneceu detalhes sobre a construção dos painéis de plástico, porém o equipamento já foi aprovado em testes internacionais e as primeiras unidades estão prontas para serem comercializadas. Até o momento, o projeto de desenvolvimento demandou um investimento de R$ 20 milhões e foi executado com a verba da empresa montadora e da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais). Com informações do Valor Econômico. 

Aneel busca evitar que redução de tarifas incentive aumento no consumo de energia



Fonte: Portal Rio Capital da Energia - 14.02.2013

Brasil - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quer evitar que a redução de até 32% na conta de luz incentive as pessoas a aumentarem o consumo de energia elétrica, como se estivessem aproveitando uma liquidação de ponta de estoque. Para o diretor-geral da Aneel, Nelson Hübner, é importante que o brasileiro aproveite a oportunidade para fazer com que essa economia no custo da energia seja ainda maior. “Basta que o consumo também seja reduzido”, sugere Hübner.

“Não é por a energia estar mais barata que os consumidores devem deixar de se preocupar em economizar. Uma coisa boa pode ficar ainda melhor”, disse ele à Agência Brasil. A redução nas tarifas está em vigor desde 24 de janeiro, mas só a partir do próximo dia 24 – após se completar o primeiro ciclo de cobrança com as novas tarifas – é que o desconto será repassado integralmente à conta de luz. Até então, o benefício é apenas proporcional aos dias contabilizados com os novos valores.

Os consumidores residenciais serão beneficiados com uma redução de 18% na tarifa. Para a indústria, o comércio, a agricultura e o setor de serviços, a redução chegará a até 32%.

Na opinião do diretor da Aneel, a possibilidade de a diminuição do custo da energia implicar em aumento do consumo não vai contra o discurso de sustentabilidade do governo federal. “Isso não é verdade porque o custo da tarifa é muito elevado no Brasil”, disse Hübner, ao defender os efeitos dessa redução para o custo Brasil.

A fim de apresentar algumas dicas para estimular a redução do consumo de energia elétrica, e evitar que a redução do preço acabe estimulando maior consumo, a Aneel lançou no dia 14, em seu site, a cartilha Use a Energia com Inteligência. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Geração de energia solar em casa faz bem ao planeta e ao bolso


Fonte: Envolverde - 31.01.2013
Brasil - Em 2012, a Aneel aprovou as regras que regulamentam a geração de energia solar em casa. Agora, a eletricidade produzida por você mesmo pode diminuir o preço da conta de luz, zerar a tarifa e até mesmo render créditos com as distribuidoras.

As mudanças aprovadas pela agência reguladora servem como incentivo às energias alternativas que têm geração totalmente sustentável: a principal delas é a solar, a mais fácil de ser incorporada, não só nas grandes fazendas solares, mas também em prédios e casas das grandes cidades brasileiras. “É cada vez maior o número de interessados em produzir energia para uso doméstico, seja pelos benefícios ambientais, seja para suprir eventuais desligamentos da rede elétrica”, diz o site da empresa Minha Casa Solar, que comercializa sistemas de microgeração fotovoltaica no Brasil.

Uma residência que possui painéis solares deixa de utilizar a energia fornecida pelas distribuidoras, e, assim, reduz imediatamente a conta de luz. Isso porque, quando transformado em eletricidade, o sol alimenta os aparelhos ligados naquele momento. Se houver sobras de energia, as quantias serão lançadas na rede da companhia de distribuição, que retornará a quantidade excedente como crédito nas próximas tarifas a serem cobradas.

Se, num primeiro momento, a microgeração de energia solar demanda um investimento alto, a economia na conta de luz vira o jogo nos próximos meses: o investimento inicial gira em torno de R$ 15 mil a R$ 40 mil, dependendo do tamanho da residência e do padrão de consumo dos moradores. Entretanto, o cliente pode criar um sistema simples, formado por um ou dois painéis fotovoltaicos e, aos poucos, ir aumentando a quantidade de módulos. 

Eficiência energética no fogão a lenha

Equipamento criado por inventor catarinense aquece chuveiro em regiões serranas usando o calor que seria desperdiçado na chaminé. Próximo passo será “fogão-foguete” que reduz queima de lenha em 40%. 


José Alcino Alano, eletricista aposentado e inventorUm sistema inovador de aquecimento de água desenvolvido em Santa Catarina aumenta a eficiência energética dos fogões a lenha, presentes na maioria das residências das regiões serranas, onde o inverno é rigoroso. Barato, de fácil instalação e ambientalmente sustentável, o recuperador de calor está sendo testado em um projeto-piloto com 200 famílias de áreas rurais em 34 municípios, numa parceria entre Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Secretaria de Agricultura do Estado e Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri). Os resultados preliminares superam as expectativas, com aumento do conforto, alívio no orçamento doméstico e potencial para reduzir a demanda de energia nos horários de pico. Criado pelo eletricista aposentado José Alcino Alano, o equipamento aproveita o calor que seria desperdiçado pela chaminé, sem aumentar o consumo de lenha.
“Tomar banho e lavar louça, pra nós, era um tormento”, conta Vera Lúcia Damas Claudiano, líder na comunidade quilombola de Rincão do Tigre, no município de São Joaquim – a 230 km da capital –, onde as temperaturas negativas no inverno fazem parte do cotidiano. A família de Vera foi uma das selecionadas para o teste, por atender ao critério de baixa renda e pela influência dela como multiplicadora para os vizinhos. “Antes, tínhamos que deixar a torneira aberta de noite para a água não congelar no cano”, conta a agricultora, enquanto acende o fogão para preparar o mate. “Agora temos água quente à vontade, dispensamos o chuveiro elétrico e a conta de luz caiu quase pela metade”.
A Celesc estima que a instalação do recuperador de calor nas 198 mil residências onde se usa fogão a lenha em Santa Catarina resultaria em uma economia anual de 193,6 mil MWh de eletricidade. Suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de Florianópolis (421 mil habitantes) por três anos, ou toda a área de concessão da companhia, com 6,2 milhões de habitantes, por dois meses. O cálculo, feito segundo o Manual de Eficiência Energética da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), tomou como premissas a redução de 100% no uso de um chuveiro elétrico de 5.400W de potência, com um tempo médio de oito minutos de banho por pessoa. Não foi considerada a redução no uso de torneira elétrica. Se incluídas as residências rurais com fogão a lenha em regiões serranas do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, a economia total seria ainda mais expressiva.
A instalação do equipamento se dá no âmbito do projeto Banho de Energia, uma das ações de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) da companhia catarinense de eletricidade. “A Celesc não faz filantropia”, esclarece a assessora de RSE, Viviani Bleyer Remor. “Estamos levando conforto e qualidade de vida para os agricultores; ao mesmo tempo, consolidamos a marca da empresa junto a essa população e reduzimos a inadimplência”. Outra vantagem é a redução do consumo no horário de ponta – das 17h30 às 20h30 nos dias úteis, quando o sistema nacional de geração, transmissão e distribuição é sobrecarregado pelo aumento no número de equipamentos ligados à rede elétrica. No segundo semestre de 2013, haverá uma avaliação dos resultados nas 200 unidades instaladas e a empresa pretende ampliar o projeto.
José Alcino Alano, 61 anos, não se considera um inventor, mas o fato é que já saíram de sua prancheta diversas tecnologias sociais, como um leito hospitalar multifuncional de baixo custo para pessoas com paraplegia e tetraplegia, entre outras. Acompanhado da mulher, dona Lizete, ele passa parte do tempo viajando por Santa Catarina para supervisionar a instalação do aquecedor, cujo pedido de patente foi depositado em 2010 junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Desde 2006 o aposentado é parceiro da Celesc na difusão de um aquecedor solar feito com garrafas PET e caixas de leite.


Esse projeto de RSE – Energia do Futuro – levou à criação de uma cooperativa de trabalho no Morro da Queimada, comunidade de baixa renda na capital catarinense, e está sendo replicado na Costa do Marfim. Alano atua como voluntário. Ele explica que o grande diferencial do seu recuperador de calor em comparação com a tradicional serpentina de água é não retirar calor da câmara de combustão do fogão, e sim da chaminé, onde seria desperdiçado: “Assim o consumo de lenha permanece o mesmo”.
A pedido do Valor, o projeto foi avaliado pelo engenheiro Edson Bazzo, do Laboratório de Combustão e Energia de Sistemas Térmicos (LabCET), vinculado ao Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Os direcionadores de gases, de fato, representam uma inovação com perspectiva de patente”, afirma. Para o especialista, o maior mérito do trabalho está no resgate de uma tecnologia consolidada de domínio público, que funciona pelo princípio de termossifão (veja box), para reaplicação em propriedades rurais e nas cidades onde ainda são utilizados fogões a lenha: “A medida é evidentemente vantajosa, pois substitui total ou parcialmente a eletricidade consumida em chuveiros, com baixo ou nenhum impacto ambiental”, diz. “Indiretamente, está-se economizando combustíveis fósseis na geração de eletricidade. O único impacto ambiental estaria associado à fabricação, transporte e instalação do sistema, o que é insignificante a meu ver. É uma bela iniciativa”. Bazzo lembra que o dióxido de carbono (CO2) gerado pela queima da lenha é neutro, pois se supõe que ele vai ser absorvido pelo crescimento de novas árvores.

Detalhe. Fonte: pedido de patente ao INPI
Um elemento importante para a difusão da nova tecnologia tem sido a parceria com a Epagri, empresa pública com mais de 50 anos de fomento à agricultura familiar, modelo de 90% das propriedades agrícolas em Santa Catarina. “Temos contato próximo com as comissões de desenvolvimento municipal, que nos ajudam a identificar as famílias para o projeto-piloto”, diz o gerente estadual de Extensão Rural e Pesqueira, José Cezar Pereira. Oitenta por cento do custo total do equipamento, de cerca de R$ 1,8 mil, são subsidiados pela Celesc. Os agricultores pagam somente R$ 380, em cinco parcelas anuais financiadas pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR). Graças ao subsídio e à facilidade de crédito, o dispositivo está sendo adotado por famílias como a de Orildo Giroto, oriundo do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que vive no Assentamento Primeiro de Maio, em Curitibanos, a 300 km da capital. “Agora fica mais rápido pra fazer a polenta”, diz dona Luci, pegando água aquecida da torneira.
O recuperador de calor, com vida útil estimada em 20 anos, já teve cinco protótipos construídos e continua sendo aperfeiçoado. Alano não para de elaborar novas ideias: “Estou desenvolvendo um novo modelo de fogão a lenha baseado numa tecnologia existente há vários anos, o ‘fogão foguete’, que, pela queima perfeita dos gases, reduz em 40% o consumo de lenha e produz pouca fuligem, diminuindo os impactos ambientais”. Ele atribui a motivação para criar à sua origem humilde, na qual fazia parte da rotina a busca de soluções para a sobrevivência a partir de conhecimentos em diversas áreas. “Outra motivação é ter contato com realidades que clamam por ajuda imediata e saber que os meus problemas são infinitamente menores que os do meu próximo”.

Como funciona

O sistema. Fonte: pedido de patente ao INPIO sistema. Fonte: pedido de patente ao INPI
O recuperador de calor funciona por convecção térmica (termossifão), processo de transmissão de calor em que a energia térmica se propaga através do transporte de matéria, por causa da diferença de densidade e da ação da gravidade. Quando a água fria é aquecida em contato com a chaminé, fica menos densa, isto é, ocupa o mesmo espaço com peso inferior. Assim, sobe até o boiler, um reservatório que conserva a água quente até sua utilização.
O calor na chaminé dificilmente ultrapassa os 200°C, contra 500°C em média atingidos na câmara de combustão do fogão a lenha. Embora a rapidez e o volume da água aquecida sejam inferiores ao sistema tradicional por serpentina, são suficientes para atender as necessidades domésticas sem o uso de tubulação especial, o que barateia o sistema. Como não há serpentina com água circulando dentro da câmara, o consumo de lenha permanece o mesmo.
Uma versão condensada desta reportagem foi publicada originalmente no Valor Econômico, em 23/01/2013, com o título Fogão a lenha aquece água do chuveiro



Eletricidade mais barata: e o meio ambiente?


Fonte: Pequenas Empresas e Grandes Negócios - 30.01.2013
Brasil - Recentemente, a presidente Dilma Rousseff anunciou que a conta de luz ficaria mais barata para os brasileiros. É certo que essa iniciativa contribui positivamente para o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, uma vez que a energia é um ponto crítico nos custos dos negócios.

A presidente também descartou a possibilidade de racionamento de energia e disse que o país está aumentando sua capacidade elétrica.

Queria aproveitar esse anúncio para alertar a sociedade sobre a importância da obtenção de energia por meios alternativos, uma vez que os ciclos das chuvas têm comprometido o fornecimento. O Brasil precisa ampliar sua matriz energética para garantir o desenvolvimento econômico e o fornecimento de energia do dia a dia em algumas regiões castigadas pela falta de água.

Já existe tecnologia disponível para a geração de energia de outras fontes que não a água, como o sol e o vento, tão abundantes em nosso país, mas tudo isso ainda parece muito distante de nossa realidade cotidiana.

Também entrará em vigor a partir do ano que vem um acréscimo na cobrança da energia elétrica para os que consomem mais eletricidade, sempre que os reservatórios estiverem em níveis críticos.

Para educar o cidadão, a partir de março de 2013 as contas trarão um quadro explicativo com as chamadas ”bandeiras tarifárias”. Quando os reservatórios estiverem cheios, a bandeira será de cor verde. O amarelo será utilizado para o estágio de atenção, e o vermelho quando os reservatórios estiverem em níveis preocupantes. Vale lembrar que atualmente todas as regiões do país se encontram em situação “vermelha”.

Não consigo enxergar outra cor a não ser essa quando se trata da utilização de recursos naturais. O planeta está no vermelho! Precisamos estar sempre alertas e não podemos “baixar a guarda” em relação à preservação do meio ambiente.

O estado de alerta quanto ao consumo de energia não deve ser entendido como apocalíptico e sim como uma oportunidade de elevarmos nossos padrões de consciência e abrir espaços para a inovação e a criatividade – em outras palavras, aprender a fazer mais com menos e harmonizar a operação dos negócios com a vida.

De toda forma, a redução da conta de luz ajuda o pequeno e o médio empresário, como a de qualquer outro custo inerente ao negócio. Mas o que ele realmente precisa é de uma imediata revisão fiscal. Isso sim daria um impulso fantástico ao empreendedorismo, à formalização dos negócios e à geração de renda.

A energia ficou mais barata, mas não é para usar mais. É para economizar sempre!